Decorria o ano de 1642 quando, por determinação do Conselho de Guerra de D. João IV, se iniciava a construção das duas fortificações que ladeiam a Praia da Poça, no Estoril, o ”Forte da Cadaveira”, no topo da encosta a nascente e o “Forte de S. Pedro da Poça”, a poente.
Terminada a sua construção, no inicio de 1643, estava criada uma cortina de Artilharia que atravessava a praia, garantindo a protecção cruzada que salvaguardaria qualquer desembarque tentado pelas forças Espanholas.
Esgotada a sua função original, de equipamento militar de protecção da linha de costa, a estes dois fortes foram-lhes sendo atribuídas as mais variadas utilizações, desde Estância de Banhos da Poça a Posto da Guarda Fiscal, passando por ser uma Casa de Chá, ou mais recentemente, uma Discoteca.
Classificados como Imóveis de Interesse Público desde 1977, este extraordinário conjunto de património arquitectónico e histórico nacional, encontram-se votados ao abandono, em avançado estado de degradação e expostos ao vandalismo e à destruição.
Quem visita estes fortes - amplamente divulgados nos guias turísticos -, para além das paredes grafitadas que ainda resistem, encontra um ambiente absolutamente degradante, onde prolifera o lixo, dejectos humanos, alimentos em putrefação, entulho e garrafas partidas. Encontra uma realidade não muito diferente daquela que encontrava, até há um ano, no Forte de Sto. António da Barra ou Forte de Salazar (como sempre o conheci).
Olhando para o extraordinário trabalho de restauro que a Câmara Municipal de Cascais realizou no Forte de Salazar, não se compreende como o Estado Central não delega, naqueles que já provaram ser capazes de resgatar e valorizar património, a recuperação dos fortes da Cadaveira e de S. Pedro da Poça.
Quantos mais anos serão necessários e a que estado de degradação terão de chegar estes fortes, para que a Secretaria de Estado do Tesouro ou a Direcção Geral do Património, percebam que é urgente salvar aquilo que ainda perdura?
Será que a incúria e a irresponsabilidade irão conseguir destruir o que os espanhóis não conseguiram?

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