Dia após dia, continuamos a observar este
tipo de inscrição ilegal nas paredes da nossa freguesia não obstante o intenso trabalho
que vai sendo desenvolvido pelas equipas da Junta que, diariamente, se encarregam
de as limpar evitando que perdurem no tempo.
Classificada por uns como “arte urbana” e por outros como “lixo gráfico” a prática desta actividade quando não licenciada, é na realidade, à letra da Lei n.º 61/2013, um ilícito punível com coima que pode variar entre 100€ e 2.500€, quando o dano é reversível e entre 1.000€ e 25.000€, quando o dano é definitivo.
Ainda assim, mesmo com uma Lei clara e com coimas suficientemente severas, a existência de graffiti tem-se mantido e não fosse a rápida e persistente intervenção da Junta de Freguesia, poderíamos estar a falar de números potencialmente geradores de um aumento da criminalidade.
Mas qual é a relação entre criminalidade e graffiti, perguntará o leitor?
Estudos realizados nos EUA, concluíram que a existência do primeiro grafito num determinado local, resulta no aparecimento sucessivo de mais e mais graffiti, criando nas populações uma imagem de degradação.
Os mesmos estudos, associam esta degradação ao vandalismo e concluem que a
imagem de deterioração, de desinteresse e de despreocupação, quebra os códigos
de convivência, como ausência de regras, leis e normas, levando ao aumento da
criminalidade.
Assim, importa combater esta imagem, mantendo a prevenção contra os graffiti ilegais, e de certa forma contra o vandalismo em geral: com rápidas intervenções dissuasoras da reincidência, reforçando a vigilância e repetindo as ações de sensibilização que vêm sendo desenvolvidas nos últimos anos.
Ações como o Festival Muraliza, organizado pela Câmara de Cascais, são disso um óptimo exemplo, que tem servido não só para dignificar esta actividade, mas também para separar o trigo do joio e valorizar os graffiti que realmente são “arte urbana”.
Preserve-se a “arte urbana” e recicle-se o “lixo gráfico”.

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