No dia 8 de Março, a ONU celebrou pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher, pelo que, este ano, completar-se-ão 50 anos, desde que foi instituída esta data simbólica onde se pretende “celebrar os direitos que as mulheres conquistaram até ao dia de hoje, relembrando o caminho para a igualdade.”
Um
percurso, ainda por terminar, que importa continuar trilhar mantendo o
objectivo de defender, entre outros, “o direito ao voto, a igualdade salarial,
a maior representação em cargos de liderança, a proteção em situações de
violência física e/ou psicológica ou o acesso à educação continuam atuais
porque, em vários pontos do globo, esses direitos continuam por cumprir”.
A
propósito desta efeméride, recordo uma história que se passou comigo, em Julho
de 2023, quando acompanhei a Classe de Dança Estrelinhas em mais uma actuação
no âmbito da Gala Solidária da Associação de Estudantes da Faculdade de
Medicina de Lisboa.
Como
habitualmente, a única exigência que fazemos é que seja servida uma refeição
aos jovens dançarinos após a sua atuação.
Normalmente,
tudo corre bem. Mas, nesse dia, em virtude de simultaneamente estar a ser
servido o Jantar de Gala aos convidados, a refeição dos jovens tardava em
chegar, tendo feito ver à organização do evento, o meu desconforto.
Dirigi-me
então à cozinha e sugeri amavelmente à “cozinheira chefe” que, dentro do
possível, fosse confeccionada uma refeição simples, que não atrapalhasse muito
o serviço, pois os jovens estavam sem comer há muitas horas.
Quando
a “cozinheira chefe” percebeu que eram jovens, tomou a iniciativa de se
deslocar ao local onde estavam os nossos dançarinos e, ao ver o seu ar cansado
e “faminto”, soltou uma expressão que ainda hoje tenho na memória, “mas isto são crianças! Têm de comer!”.
Desencadeou-se
então um enorme bulício na cozinha e, em menos de nada, as mesas encheram-se
com um fabuloso repasto, digno de um restaurante com Estrela Michelin.
Pois
bem. O que nós não sabíamos é que a “cozinheira chefe”, era na verdade a Chef
Marlene Viera. E o que a Chef Marlene Vieira não sabia, é que, passado um ano e
meio, o seu trabalho seria reconhecido com uma Estrela Michelin, sendo a
primeira mulher portuguesa, nos últimos 50 anos, a receber este galardão.
Hoje,
em Portugal, os restaurantes com Estrela Michelin, já não são um exclusivo dos
homens e o mérito, independentemente do género, foi reconhecido e premiado.
Na
pessoa da Chef Marlene Vieira, deixo a minha homenagem a todas as Mulheres e a
todas as Mães que lutam pelos seus sonhos.
*
“Espero que as mães não desistam dos seus sonhos e não desistam de ser mães”,
Chef Marlene Vieira

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