O regresso da “Operação Oriente” agora “Indostânica”

 


Nas últimas semanas, temos visto publicadas na comunicação social, várias notícias e reportagens, relatando intervenções de fiscalização em restaurantes “indostânicos”, desenvolvidas pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) em conjunto com as polícias municipais.

O cenário aí apresentado, é no mínimo dramático. Gordura a escorrer pelas paredes, falta de ventilação nas cozinhas, garrafas de gás e fogões que mais parecem uma bomba relógio, alimentos a descongelar no chão, frigoríficos precários cheios de comida em decomposição, baratas e ratos a circular livremente, etc.

Acresce que, após o encerramento noturno, muitos desses restaurantes são ilegalmente convertidos em dormitórios, com a colocação de colchões espalhados pelo chão, onde dormem pessoas sem o mínimo de condições.

Ao ver estas notícias, veio-me à memória a impactante e mediática “Operação Oriente”, levada a cabo pela ASAE em 2006, época em proliferavam os restaurantes chineses e em que, foram detetadas irregularidades em 113 dos 130 restaurantes chineses fiscalizados.

As imagens, então difundidas no âmbito dessa mega operação, não eram muito diferentes das que vimos em 2025, com a diferença que agora provêm de restaurantes “indostânicos” em vez dos restaurantes chineses.

Recorrendo a uma notícia do Jornal Expresso de 2010, 4 anos após a intervenção da ASAE, podemos constatar a enorme eficácia dessa operação. Ping Chow, da Liga dos Chineses em Portugal, disse à Lusa que a visita da ASAE em 2006 fez "bastantes estragos", mas também "obrigou o setor a adotar sistemas mais sofisticados e mais aceitáveis"."Houve eliminação dos mais fracos e dos menos preparados".

Em Cascais, por iniciativa da Câmara Municipal, foi também, na última semana, desencadeada uma operação de fiscalização a este tipo de estabelecimento de restauração, tendo sido detetadas várias irregularidades que culminaram com o encerramento de 3 restaurantes.

E, segundo o Vice-presidente da Câmara da Cascais, Nuno Piteira Lopes, “a fiscalização vai ser cada vez mais rigorosa e é para continuar”.

Como aconteceu com sucesso em Lisboa e Cascais, é importante envolver no planeamento e intervenção destas ações de fiscalização, as autarquias (Polícia Municipal e Serviços Municipais) para onde são canalizadas grande parte das reclamações.

Hoje, como em 2006, e no seguimento da grande proliferação deste tipo de estabelecimento de restauração nos últimos anos, é importante alargar a fiscalização de forma a salvaguardar a proteção dos consumidores e garantir o cumprimento rigoroso das regras de higiene e salubridade, bem como promover a lealdade e a equidade num mercado concorrencial.

In Jornal Notícias de Cascais


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