No ano em que se completam 30 anos desde a realização do último Grande Prémio do Estoril de Formula 1, voltamos a ter notícias acerca do futuro daquele que, durante muitos anos, foi o grande palco dos desportos motorizados em Portugal. O Autódromo do Estoril.
Durante quase duas décadas, o Autódromo do Estoril, com nome oficial de Autódromo Fernanda Pires da Silva, recebeu as mais importantes competições motorizadas do mundo como a Formula 1 , o MotoGP, as SuperBikes, a FIAGT ou o Superturismo.
Lembro-me de, em 1984, assistir à conquista do tão ambicionado tricampeonato de Niki Lauda, após a milagrosa recuperação do violento acidente ocorrido 8 anos antes, no circuito de Nürburgring.
Na minha memória, está também presente, a fantástica “serenata à chuva” que culminou na primeira vitória da carreira de Ayrton Senna, em 1985, ao volante da "Black Beauty", um Lotus da JPS.
Mas, as minhas memórias do autódromo vão muito para além dos momentos de glória dos pilotos. São memórias boas da minha juventude, em que ali exerci a função de Comissário de Pista. Uma função que tenho dificuldade em classificar como trabalho, tal era o entusiasmo com que a realizava.
No autódromo, podíamos encontrar frequentemente a nata da nata dos desportos motorizados mundial. Ali, estavam os melhores mecânicos, os melhores pilotos, os melhores carros e, provavelmente, os melhores comissários de pista (várias vezes convidados para ir dar formação ou assistência noutros circuitos).
Ali, tudo era vivido de forma intensa. Desde os aromas intensos do combustível de 120 octanas e da borracha queimada, ao roncar característico dos motores turbo, geradores de uma potência superior a 1000 cv, e do som estridente das fortes travagens, com redução de caixa de velocidades, no fim da reta interior. Tudo era proporcional aos alucinantes 300Km/h que os bólides atingiam naquele circuito.
Contudo, e à mesma velocidade a que os carros circulavam, com o agitar da bandeira de xadrez do dia 22 de Setembro de 1996, o autódromo do Estoril entrou num profundo marasmo que se arrasta até aos dias de hoje.
Desde então, foram várias as tentativas para recuperar o protagonismo e o “glamour” deste icónico recinto desportivo que, por um ou outro motivo, acabaram sempre por sair goradas.
Agora, volta a nascer a esperança após as declarações públicas; do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, da Parpública e do Presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes.
Ainda que as várias posições não sejam iguais, parecem todas concorrer para um objetivo comum, fazer regressar as grandes competições (Formula 1 e MotoGP) a Portugal.
Senão vejamos:
Luís Montenegro, afirmou em Agosto de 2025 que “Estou em condições de vos dizer que temos tudo pronto para formalizar o regresso da Fórmula 1 ao Algarve no próximo ano de 2027. Estes eventos implicam algum esforço financeiro por parte do Governo, mas têm um retorno, quer direto, quer indireto, de promoção, que sinceramente vale a pena.”.
Segundo a Parpública / CE – Circuito Estoril, S.A., em Março deste ano, “será lançado em breve, […] um procedimento de consulta ao mercado para a constituição de um direito real de superfície sobre o imóvel no qual a citada infraestrutura e respetivas instalações de apoio se encontram implantadas.”.
Já Nuno Piteira Lopes, em Outubro de 2025, afirmou que “O objetivo passa, em primeiro lugar, por avançar para a compra do Autódromo do Estoril e, a partir daí, assegurar o regresso ao Circuito do Estoril das duas grandes categorias do desporto motorizado: a Fórmula 1 e o MotoGP. No calendário delineado, a intenção é “atacar” o regresso do MotoGP em 2027 e da Fórmula 1 em 2028”.
É positivo verificar que os responsáveis políticos valorizam o papel destes eventos na promoção das regiões e do país e saúda-se a vontade de dar nova vida a um autódromo carregado de história e com um potencial enorme por desenvolver.
Afinado que está o objetivo final, resta agora percorrer os 4,36 Km’s e as 13 curvas do circuito, para chegar à meta.

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